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2017 Campeonato Candango Brasiliense
Conheça Luiza Estevão, a jovem por trás do título do Brasiliense
23/05/17 - 07h16
Felipe Menezes / Metrópoles.com

Desde muito nova, Luiza Estevão conserva dentro de si a paixão nacional de todo brasileiro: o futebol. O hobby de infância se transformou em trabalho e, em março de 2016, a jovem assumiu o cargo de diretora do Brasiliense Futebol Clube.

Há dois meses, o Estádio Bezerrão foi palco de uma briga generalizada entre as equipes do Gama e do Brasiliense, interrompendo a partida em empate de 1×1. Desconsiderando a rivalidade entre os dois times, a garota de corpo pétit manteve a calma, desceu de sua cabine, foi até o vestiário e conversou com a comissão técnica e atletas para acalmar os ânimos. Ao ficar sabendo que um torcedor do Brasiliense fora brutalmente atacado durante a confusão, ela foi enérgica. Mandou dirigentes do time levarem o rapaz para um hospital e darem o apoio necessário. Para a surpresa de muitos, a atitude veio da dirigente de apenas 20 anos.

A força do cargo não impediu que, a princípio, Luiza recebesse olhares desconfiados de pessoas que a consideravam muito nova para gerir o clube - fato que a diverte, ao invés de aborrecê-la. "Às vezes ouço nos jogos 'Por que tem uma criança aqui dentro?' ou 'Quem trouxe a irmãzinha?', mas rapidinho eles perdem essa noção", explica a jovem, confessando uma cumplicidade com o time candango, que acumula 17 anos de estrada marcados por altos e baixos.


Na última temporada, encerrada em maio, Luiza foi fundamental para que o clube conquistasse, após um jejum de quatro anos, o campeonato local. Avessa a superstições, ela utiliza do pragmatismo para liderar a equipe. E avisa que, se depender da sua gestão, a façanha será repetida.


O Centro Técnico do Brasiliense desperta um sentimento de nostalgia em Luiza. Mesmo tendo jogado futebol por quase 10 anos, ela garante que sua aptidão dentro dos campos nunca foi tão boa quanto seu atual trabalho nos bastidores. "Eu era uma perna-de-pau", diverte-se.

Reservada na maior parte do tempo, ela desabrocha quando o assunto é futebol. Aprendeu com o pai, o empresário Luiz Estevão, fundador do Brasiliense, a ter senso de liderança. "Nossas opiniões sempre foram muito parecidas. Acho que por isso deu muito certo eu tomar as decisões. Ele confia em mim neste momento em que não pode acompanhar o time como gostaria", complementa. O ex-senador cumpre pena na Papuda, desde março de 2016, em função da condenação pelos crimes de desvio de verba na obra do TRT-SP.

Crescimento do Jacaré
O Brasiliense deu o pontapé inicial na cena esportiva do DF em 2000, quando Luiza tinha três anos. Ela se recorda das visitas ao campo, das conversas com os jogadores e dos momentos de diversão quando a família ia assistir aos jogos. "Depois de certo tempo comecei a vir mais para os treinos, conversar mais com a diretoria e com os jogadores, avaliar o que deveria ser tirado e colocado. Enfim, tudo que é necessário para dirigir um time, que não é tarefa fácil", explicou.

Entre 2000 e 2009, o clube viveu seus melhores anos. Subiu da segunda para a primeira divisão local, arrebatou seis títulos do Candangão, foi vice da Copa do Brasil em campanha surpreendente. Em 2005, chegou na Série A após ser o vencedor da Série B em 2004 e da Série C em 2002. Em 2010, o time amargou o vice-campeonato local e foi rebaixado da elite nacional. Depois disso, desceu para a Série D e ficou sem conquistas até 2017, quando renasceu com o campeonato local.


"Foi doloroso ver o time caindo da forma como ocorreu. Foram quatro anos de muito sofrimento até colocarmos os jogadores para cima de novo. Estamos lutando para manter isso e melhorar o futebol do Distrito Federal", aponta.

Presença no clube
A dedicação foi colocada à prova, em março de 2016, quando ela se tornou diretora oficial, embora já estivesse engajada há mais tempo com o Brasiliense. Rafael Toledo, técnico do time, disse que sua presença e coordenação foram essenciais. "Temos uma comunicação direta, o que facilita o processo de ajuda mútua e cooperação, especialmente em formatação e elenco. Nossos acordos fizeram com que a gente criasse um time extremamente forte", comentou Toledo, que jogou no Brasiliense há 10 anos.

"Luiza é uma pessoa muito centrada e madura. Trabalhou de forma consciente e colaborou com novas ideias e conceitos", completa.


O supervisor de futebol Paulo Henrique Lorenzo também enalteceu a presença da dirigente. "Para a comissão técnica foi muito importante. Colaborou bastante na concentração, no vestiário, nos jogos, treinamentos e até nos julgamentos do clube", pontua.


O Candangão teve início no dia 4 de fevereiro, mas o clube iniciou os treinamentos em 21 de novembro de 2016 e a preparação em agosto. Período que Luiza acredita ter sido crucial para o êxito na temporada.

"Antes e depois do jogo fazemos uma oração e sempre digo a eles como esse time é importante para mim e para minha família. O foco não era classificar para a Copa Verde ou para a Série D. O objetivo era ser campeão", comenta Luiza, ao confessar que não só acompanha ao vivo os jogos como faz questão de gravar a partida para analisar a organização tática.

"Eu acho legal e importante ter mulheres nesse contexto de futebol, especialmente por ser uma área dominada por homens. Isso não quer dizer que não podemos ou que não conseguimos fazer esse tipo de trabalho. Afinal, o futebol é para todo mundo""
Luiza Estevão
A dedicação foi recompensada quando o Brasiliense venceu o Ceilândia por 3 x 2 e ficou com o título do Candangão 2017. O time acumulou 11 vitórias em 17 jogos e agora tem vaga garantida na Série D do Brasileiro e na Copa do Brasil. "Naturalmente, nossa conquista se deve ao esforço dos jogadores, mas para mim é emocionante ver a cumplicidade de todos os envolvidos, desde os diretores e fisioterapeutas até as pessoas que cuidam do gramado. Todo esse vínculo foi importante, comovente e nos levou à vitória".

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